Começou na terça-feira, 1 de dezembro, a mostra de processos de final de ano da Escola Livre. Como o Teatro Conchita de Moraes está com uma reforma prometida que foi postergada diversas vezes, a mostra usou como temática o fato de a escola possuir um teatro que não pode ser utilizado. Assim, no primeiro dia de mostra Aporia em destroços foi uma performance a partir da peça Aporia 23°S 46°O da Formação 16 que evidenciou a situação do teatro e inaugurou a mostra.

Foi realizada também uma performance dos aprendizes no Paço Municipal. Nas duas ações foi lida a carta manifesto que explicita a atual situação da escola. Segue ela:

CARTA MANIFESTO
pela utilização imediata da verba destinada à reforma do Teatro Conchita de Moraes.

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT) completa, em 2015, 25 anos de (r)existência, constituindo-se como um importante centro de formação de dezenas de artistas, pensadores e educadores a cada ano. Este ano, para além dos problemas que já são costumeiros à escola, estamos enfrentando a impossibilidade de usar o Teatro Conchita de Moraes por falta de reforma. Após vistoria realizada no primeiro semestre de 2015, fomos impedidos de usá-lo sob o comprometimento por escrito do início das obras em 1º de junho, o que não aconteceu.

Para esse propósito, foi destinada uma verba de 600 mil reais proveniente do Tesouro Municipal de Santo André, votada pelos próprios munícipes através do Orçamento Participativo da cidade.

O montante contemplaria a parte elétrica, o telhado e a remoção do material de isolamento acústico e a reforma teria duração de 120 dias (http://186.215.167.212/…/9700-teatro-conchita-de-moraes-ser…), o que foi alardeado pela própria prefeitura através de matérias nos principais veículos de comunicação da região (http://www.abcdmaior.com.br/…/teatro-conchita-de-moraes-ser…).

Desde então, somos uma escola de Teatro sem teatro.

Sendo o Teatro Conchita de Moraes o único em Santo André a oferecer programação gratuita (os outros dois são o Cine Teatro Carlos Gomes, que está com as portas fechadas, e Teatro Municipal de Santo André, cujas pautas são majoritariamente dominadas por produções com ingressos a valores altos), sua inutilização diminui ainda mais o acesso da população local à cultura. Sem contar os prejuízos nos nossos processos de estudo e montagem e o cancelamento de programações no espaço.

Lançamos, então, questionamentos acerca de algo que nos parece tão crucial quanto a falta de interesse das instâncias públicas desta cidade para com os equipamentos do município: por que essa reforma ainda não aconteceu e, principalmente, onde é que está esse dinheiro que a ela foi destinada? Não podemos mais aceitar o descaso e a negligência com que o dinheiro público é tratado.

Ao vermos a população de Santo André ser enganada num Orçamento Participativo fictício, resolvemos empreender essa luta política que vai além dos interesses exclusivos da escola.

Trata-se da vocação de resistência aos desmandos da prefeitura de Santo André e à falta de transparência com a qual nos acostumamos a lutar nesses últimos anos. Por isso, abrimos nossas portas ao público em uma mostra que pretende ser mais do que apenas a apresentação do que fizemos ao longo do ano.

É uma denúncia e um ato de protesto contra a leviandade da gestão andreense com sua população. E da melhor maneira que sabemos fazer isso: com a Arte. Com o Teatro.

Escola livre mostra Teatro sem teatro!
Não vamos nos calar.

Tornamos público com esta ação [protesto, performance, apresentação, intervenção etc.] o descumprimento de um contrato assumido legalmente pela prefeitura de Santo André: a reforma do Teatro Conchita de Moraes, que teria início em 1º de junho deste ano e ainda não aconteceu. O teatro, desde então, está fechado. Por meio dos votos dos próprios munícipes no Orçamento Participativo, um montante de 600 mil reais foi destinado à obra.

Nós, artistas da Escola Livre de Teatro, assumindo o compromisso de defender este bem que pertence a todos os cidadãos, lutamos, portanto, pela idoneidade e responsabilidade da prefeitura de Santo André em usar os recursos públicos de acordo com a vontade da população. Lançamos, então, uma pergunta e cobramos esclarecimentos e ação das autoridades públicas desta cidade:

Cadê (a) GRANA?

Escola Livre mostra Teatro sem teatro!
Não vamos nos calar.

 

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