por Heraldo Firmino

 O espetáculo Contando África em Contos lança mão de uma proposta bem simples para contar três histórias de países africanos. De fora do espaço de apresentação, vem trazendo as pessoas que chegam como visitadores, viajantes que percorrem o mundo e, sempre que param, contam suas histórias e colhem outras para contar em outro lugar. Fazem uma “chegança“, com música e som de tambor, que logo remetem a alguma coisa antiga e ancestral que vem de longe. A canção cantada em dialeto começa a nos tirar do mundo que está ali presente e, pouco a pouco, vai transformando o espaço. O convite foi feito e o público recebe bem, aceita entrar na brincadeira. As crianças em sua maioria estão bem perto, coladinhas aos atores/contadores. Uma grande sala com cadeiras e tatames no chão, onde as crianças, que acompanham atentamente, são convidadas a participar ativamente e, aliás, participam muito.

Três histórias, três contadores, começo, meio e fim. Um encontro que é uma celebração, pois revela os ensinamentos da mãe África, o poder do matriarcado, onde o coletivo é o mais importante, a oralidade pede troca, autoriza o humano de cada um, encurta barreiras e dá vazão e expressão de uma cultura. Esses jovens artistas conseguem tudo isso, as crianças ficam atentas nas histórias, interagem no seu silêncio atento e nas suas conclusões barulhentas, aprendem com as histórias. O lúdico está presente o tempo todo, não há parafernálias nem muitos elementos. Alguns panos, novelos e um cesto, que viram comida, gente, ouro, etc. As crianças compram esta brincadeira tão inerente ao seu universo, o poder de fabulação é exercitado o tempo todo.

Os artistas conseguem dialogar bem com o público, tem uma escuta e um tempo para as coisas acontecerem que é precioso. As histórias chegam e deixam ensinamentos, estes jovens Griôs deixam para os pequenos a sabedoria de ouvir e celebrar os mais velhos, que o individual não pode ser mais importante que o coletivo, empatia, amizade, que as histórias destes países africanos nos revela um povo xenófilo.

O imaginário se cria e as histórias trazidas do povo africano, são histórias que servem para qualquer povo, metáforas que ajudam as crianças e adultos a compreender e reativar o animismo. As histórias escolhidas conseguem fazer isso.

Na saída, ainda ouvi um comentário de uma mãe falando com uma criança: (Mãe) Você viu? Não é legal ficar brigando com seu irmão por qualquer motivo! (Criança) Você vai ter que ajudar a contar esta história dos irmãos pra ele. (Mãe) Eu ajudo,  vamos contar as três ! (Criança) Heeeeeeeeee!

Vida longa a Cia. Colhendo Contos e Diáspora Negra!

Sugestão!

Acho bacana localizar as histórias em seus países. Seria bacana também, a título de conhecimento, ter o mapa do continente e localizar os países. Quando se fala em África, parece que estamos falando de um país, e é um continente extremamente  diverso.


Heraldo Firmino
é ator, palhaço e diretor

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s